O Jornal de Letras de 25 de Fevereiro (nº1002) publica uma longa entrevista com José Couto Nogueira e uma crítica de Miguel Real ao "Pesquisa Sentimental".
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“Pesquisa Sentimental” é como aqueles jantares em que estava tudo bom: das azeitonas ao café, da música ao vinho – e, sobretudo, a companhia. Pois este romance é um convívio quase impossível de abandonar. Aqui, José Couto Nogueira consolida e amadurece as virtudes literárias já demonstradas no “Táxi” e no “Vista da Praia”, engastadas na melhor tradição da narrativa anglo-saxónica (para mim, a melhor do mundo).
As descrições são gráficas e persuasivas, por vezes imbuídas de um lirismo irónico, como se o próprio cosmos conspirasse contra as personagens – ou, pelo contrário, lhes desse uma mãozinha. Os diálogos são naturais (nunca bonecos de ventríloquo a palrarem para encher o chouriço) mas idiossincráticos e consistentes (até conceptuais) – empurram o enredo para frente como se sobre patins, enquanto desvendam, paulatinamente, o coração e a mente das personagens.
O estilo da prosa é elegante mas não ornamental; fluente mas não esbaforido; arejado mas nunca oco.
As aventuras, venturas e desventuras de Alexandre e dos seus pares conjugam harmoniosamente o universal – o tema perene do amor, a alegada via mais rectilínea para a felicidade – e o particular: a psique e a alma portuguesa embrenhadas naquela demanda. O que mais se pode pedir a um autor? Bem, talvez isto: o próximo, se faz favor.
(Paulo Nogueira é jornalista, escritor e crítico do Expresso)
JCN foi ao Jornal matinal da SIC Notícias comentar os acontecimentos
do dia, a troco de falar durante um minuto sobre o livro
O amor é um território minado. E isso José Couto Nogueira sabe explicar como poucos. No fundo este belo romance é uma carta de amor sobre paixões que se encontraram e perderam, sobre a roupa de marinheiros que os homens vestem para se perderem, em terra firme, perante o encanto fatal das sereias. É quase, arriscava dizer, um livro sobre a forma como as mulheres vêem os homens, do ponto de vista de um homem que soube que eles perderam o jogo do amor. Há uma frase que nos diz tudo: “Alexandre, perplexo, olha para Mariana, a pedir uma âncora. Ela retribui o olhar, divertida, a negar-lha – mas com ternura”. José Couto Nogueira escreve sobre o amor imenso que se esbanja em busca da felicidade. A única coisa que conta.
FS
Veja no Correio da Manhã de 13 de Fevereiro. Só tem um pequeno erro: o livro NÃO É autobiográfico. Quando muito, levemente biográfico. Fora esse pormenor, a jornalista Lina Gusmão conseguiu resumir bem quase uma hora de incontinência verbal...
O lançamento de um livro de um amigo é um momento excepcional na vida de alguém que também escreve - por ser um amigo e por ser um livro. Sei bem o que sente um autor no dia em que um livro seu vai à sua vida, quando deixa de lhe pertencer e segue caminho, voando para outras paragens - opacas como tudo o que jamais conheceremos, inefáveis como graças a Deus algumas das melhores coisas na vida. Sentimentos contraditórios ainda assim, os do escritor de repente sem livro. Porque a verdade é que quando um livro é lançado (ao mundo) e o escritor fica sem ele, há qualquer coisa que lhe morre - o livro, as longas horas à volta dele a tricotar palavras - transformando o escritor numa espécie de viúvo de si mesmo.
Gostei de ver tantas mulheres no lançamento do novo livro do Zé. Gostei de as ver leitoras apressadas, compelidas para o livro, os olhos postos nos livros quentinhos pousados em seus regaços de mulheres, sensíveis ao tema que embala a escrita do Zé desde sempre: o amor das mulheres, a sua natureza e formas. Acredito que todas as mulheres se dedicam a algum tipo de pesquisa sentimental. O que o Zé narra neste livro interpela-as particularmente.
Estou convencida que a coisa que morreu agora ao Zé se transformará naquilo que fatal e verdadeiramente justifica a publicação de um livro: a comunhão, a partilha, o contacto, lá no lugar literário onde se encontram um escritor e o seu leitor.
S.A..
O lançamento. Foi bonito de se ver. Todo aquele calor humano e apoio ao autor. Nem tudo foi show off, feira de vaidades, desfile de trapos
Como costume, todos os ingredientes dos romances de Eça... Os ansiosos
Mas isto é um circo! dirão muitos, como Fellini. Pois é, mas foi o que
Escrito isto, encontro-me já a ler a Pesquisa. Farei depois
Manuel Alberto Valente conversa com a responsável pela livraria do ECI.
Ao fundo José Manuel Saraiva
Se na visão de um escritor um livro é como um filho, nunca nasce de parto natural! É uma descarga de adrenalina intangível, contudo contagiante para quem de mais perto o rodeia, até para quem nunca o viu ou leu.
Quem conhece o Zé sabe que a sua personalidade seduz até o periquito!
Para mim foi tão envolvente sair da minha real percepção e num simples rodopio, deixar-me conduzir pela comoção latente naquela sala apinhada de pessoas, quase sufocadas pela vertigem da adrenalina do momento, sedentas de sugar a emoção do Zé.
Muitas pessoas, sabendo-me aprendiz de feiticeira, vinham até mim com a pergunta: “Tu sabes o que ele está a sentir, conta-me!" E volto a rodopiar pela sala, o meu eu que sabe a vertigem de estar fisicamente preso ao natural desenrolar do evento, à atenção que se quer dar a todo o pormenor e a cada uma das pessoas, mas… e todo o bastidor de sensações que se perde pelas pontas dos dedos? Sim!, eu posso captar o carinho perene pelo Zé para lhe oferecer num tranquilo depois! Retenho olhares, cheiros, pontas de conversas. Envio via twitter #JCN, fotografo digital e mentalmente espasmos de sensações, minudências valorizadas pelo Zé que jamais as conseguiria abarcar, feliz e assoberbado na fila interminável e sequiosa pelo seu autógrafo e momento de atenção. Sorrio feliz ao constatar que, na braçada dos leitores, de mão dada com o Pesquisa, estão o Vista e o Táxi!
Num último rodopio pela sala, aquela inigualável e timbrada gargalhada poderosa faz-me voltar a observar, agora, o meu querido mestre e amigo – de imediato recordo as palavras da Ana Padrão (na sua forma blasé, na simplicíssima apresentação que precisamente por isso a todos fascinou), ao ter descrito:
“O Zé é daquelas pessoas que riem com o corpo todo!”
Ana Martins
JCN assina o livro de J.A. Furtado
(fotografia de Ana Martins)
Na minha quase ofegante busca por respostas sobre o comportamento masculino, observo as criaturas Y com aspirações científicas. Em vão. Quando acho que começo a chegar a alguma conclusão útil, eis que o universo masculino me prega mais uma partida.
Ao percorrer as páginas do “Pesquisa Sentimental” apercebo-me que está tudo ali. De repente, fez-se luz. Finalmente uma abordagem coerente e iluminada. Não, os homens não são todos iguais. Os homens que pensam são iguais nas suas dúvidas e iguais nas suas angústias. Não percebem é o seu novo papel. Não conseguiram digeri-lo ainda. Não sabem quem são. E a culpa é, claramente, das mulheres. Que evoluíram, as grande rameiras…!
“O problema é que as mulheres já não são o que eram; e nós continuamos na mesma. – Gil às vezes fica pensativo, filosófico.” Sem dizer, diz tudo. O Gil é o elemento que equilibra. Entre os dramas e a necessidade quase intoxicante de compreensão de Alexandre e as pérolas limitadas de Artur, Gil é o fio-de-prumo.
Artur é o idiota que ainda não percebeu que as mulheres mudaram. O papel da mulher é absolutamente limitado pelas suas próprias limitações masculinas. Aliás, um gajo que diz - “Vais largar a tua mulher por causa duma gaja que te faz um broche, mal te conhece? (…) Não te percebo. Tens uma mulher impecável. E depois tens as gajas. Não há nada de mal nisso. Sempre foi assim, sempre há-de ser.” – será digno de salvação dos seus demónios?
O “Pesquisa Sentimental” tem sido uma viagem salivante pela mente masculina. Não que eu não soubesse já algumas das verdades lidas. A questão é que finalmente foram verbalizadas por um homem. Finalmente, houve um homem que se chegou à frente.
E tenho a sorte e o privilégio de ele fazer parte da minha vida. Obrigada Zé…
Ana Godinho
O El Corte Inglés calcula que estiveram
mais de 150 pessoas no lançamento
Um livro é como um filho: quando nasce, vive-se uma alegria e acontecem grandes agitações. Ele é mandar os convites, ele é fazer entrevistas, ele é fazer e receber telefonemas, mensagens de texto, twitts e palpites no facebook... Dias alegres e confusos, como num filme cómico, épico e desfocado, tudo ao mesmo tempo.
A editora liga a dizer que fez isto e aquilo, os jornalistas ligam a marcar aqueloutro, os amigos querem ajudar, os conhecidos querem ser amigos — e o autor, não sabendo se há-de rir ou chorar, só pensa em ir directamente da partida para a chegada, sem passar pelos precalços.
Ora bem, o autor, sem tempo para blogar, toma uma decisão: vai fazer uma espécie de diário dos acontecimentos e estremecimentos, a publicar aqui assim que conseguir sentar-se cinco minutos. E vai pedir a alguns amigos que o ajudem, contando o que viram e ouviram e o que acham do livro.
Para já, com um grande sorriso se comunica que o lançamento em Lisboa foi um sucesso; muita gente engalanada, com ar de festa, amigos, presenças a que o autor dá grande importância. Autógrafos, abraços e beijinhos. Promessas de almoços e jantares, tertúlias e conversas perdidas assim que o tempo o permita.
Maria João Costa (Livros d'Hoje), Ana Padrão,
JCN e Susana Santos (El Corte Inglés)
O livro vai ser apresentado em Lisboa, no El Corte Inglés, quarta-feira dia 18, às 18h30. Apresentação de Ana Padrão.