Traz apenas um diálogo:
A Camponesa foi à cidade no safanão da camioneta saudar o Escritor. O Abril vestia-se com as cores da Primavera. Trazia na maleta um papelinho dobrado com cuidado, não lhe fossem afrouxar as palavras na boca naquele momento de aperto. Assim e após o intróito descomedido em exclamações e reticências, que é como quem diz, em cumprimentos e espanto, ela abalançou-se:
- Escritor, quero dar-lhe um beijo, daqueles que só as palavras descrevem e essas encontrei-as no interior do seu livro. Na intimidade de um quebra-luz vi maremotos na sombra de corpos fogosos; escutei sons de fúria, de solidão e esperança; senti uma vida supérflua e dourada; percebi a coragem que só existe na vontade de ser feliz; o Alexandre, a Delfina, a Mariana, a Patrícia, o Gil e o Russo habitam o meu imaginário em páginas que são varandas urbanas. Parabéns Escritor e obrigada pela obra de arte que aos meus olhos chegou em felizardos vagares.
- Camponesa, posso beijar-lhe as mãos?